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Fátima recebeu 6,5 milhões de peregrinos. O que isso muda no imobiliário à volta

22 de agosto de 2026 · Equipa Alquimia · KW LEAD
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O Santuário de Fátima registou cerca de 6,5 milhões de peregrinos em 2025, acima dos 6,2 milhões de 2024 e também acima de 2019. Dos 5.608 grupos inscritos nos serviços do Santuário nesse ano, 4.332 eram estrangeiros — 77% do total, vindos de 84 países. Para o mercado imobiliário do concelho de Ourém, o que conta não é o volume mas a composição: uma procura internacional e distribuída pelo ano inteiro sustenta valores de forma diferente de um destino sazonal. Qualquer uso turístico de um imóvel depende, ainda assim, de licenciamento próprio junto da câmara municipal.

Seis milhões e meio de peregrinos em 2025. É o número que aparece em todas as notícias sobre Fátima, e é o menos útil de todos para quem está a pensar comprar casa na região. Um número grande não diz nada sobre procura imobiliária — Lisboa recebe muito mais visitantes e isso não faz de cada rua um investimento.

O dado que interessa está uma camada abaixo.

77% dos grupos vêm de fora

Nos serviços do Santuário inscreveram-se, em 2025, 5.608 grupos de peregrinos. Destes, 1.276 eram portugueses e 4.332 estrangeiros — mais de três em cada quatro. Os grupos estrangeiros vieram de 84 países, e cresceram 7,8% face ao ano anterior, contra 5,2% dos portugueses.

A geografia mudou. A Ásia passou a ser o segundo continente de origem, com 22,3% dos peregrinos, à frente da América com 20%. A Indonésia e o Vietname entraram no top 10, à frente de habituais como as Filipinas.

Isto descreve uma procura que não depende do calendário nacional, do tempo que faz, nem do poder de compra português.

O que 2025 tem de excepcional — e o que não tem

2025 foi Ano Santo. O Jubileu trouxe peregrinações que não se repetem todos os anos, e ignorar isso seria ler o número ao contrário.

A comparação honesta é outra: 2025 também superou 2019 — o ano que o próprio Santuário usa como referência, por ser anterior à pandemia e por já não ter o efeito do Centenário das Aparições de 2017. Ou seja, tirando os dois picos conhecidos, a linha de fundo subiu na mesma.

Um mercado que assenta num Ano Santo é um mercado com prazo. Um mercado que assenta em 84 países a virem todos os anos é outra coisa.

O que isto faz — e não faz — ao preço da casa

Uma procura internacional e distribuída pelo ano tem três efeitos concretos no imobiliário da região:

A ocupação não é sazonal. Ao contrário de um destino de praia, onde a receita se concentra em três meses, a peregrinação distribui-se de Março a Outubro, com os picos de 13 de Maio e 13 de Outubro a puxarem, mas sem os vazios de Novembro a Fevereiro que caracterizam a costa.

A procura de arrendamento não depende da economia local. Quem procura alojamento em Fátima raramente é de Ourém. Isso desliga parcialmente a rentabilidade do rendimento médio do concelho — que é o factor que costuma travar valores no interior.

Mas o valor de compra não acompanha automaticamente. Um fluxo de visitantes não transforma cada casa num activo. O que se compra continua a ser área, construção, documentação e localização concreta. Quinze minutos de carro do Santuário é um argumento; quinze minutos numa estrada má, com uma casa por recuperar, não é o mesmo argumento.

A parte que costuma ficar por dizer

Qualquer utilização turística de um imóvel — alojamento local, turismo rural, hospedagem de grupos — depende de licenciamento próprio junto da câmara municipal e do Turismo de Portugal, e nem todas as zonas e tipologias o permitem. Comprar a contar com uma receita que ainda não tem licença é comprar um plano, não um activo.

E há um segundo ponto, para quem compra de fora: a região tem oferta muito heterogénea. Entre a moradia recuperada e a ruína com o mesmo número de assoalhadas vão dezenas de milhares de euros de obra, e a diferença nem sempre se vê nas fotografias de um portal.

Para quem isto é uma oportunidade

Para três perfis, sobretudo:

Para quem procura rendimento puro e rápido, há mercados mais líquidos e mais previsíveis.


Dados do Santuário de Fátima, balanço de 2025 apresentado em Fevereiro de 2026. A Equipa Alquimia opera em Cascais, Oeiras, Amadora, Lisboa e Almada; acompanha angariações fora destas zonas caso a caso, com a mesma verificação documental.

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